Ora, não é segredo que a escola vive hoje um desafio, a saber: como
produzir práticas de ensino em meio ao conflito entre valores progressistas e
conservadores? É urgente se perguntar o seguinte: as chamadas “guerras
culturais” devem ser silenciadas nos espaços educacionais ou, ao contrário,
podem se converter em oportunidade para a criação de outras formas de estar
juntos, aprender e reinventar o ensino das humanidades?
A nossa linha temática avalia propostas de pesquisa de mestrado voltadas
para práticas educativas que pesquisem a polarização política no contexto do
ensino de humanidades, preferencialmente em espaços escolares. Exploramos temas
ligados às tensões entre a esquerda progressista e a direita conservadora – ou
o lulismo e o bolsonarismo – em torno de tópicos como: a ideologia ou a teoria
de gênero, a Escola sem Partido, os movimentos minoritários, o impeachment ou golpe
de 2016, o terraplanismo, a intervenção estatal e o estado mínimo, o
autoritarismo e a democracia, entre outros.
Os projetos de pesquisa devem evitar o maniqueísmo, visando uma
proposta de estudo composto pelo encontro de sujeitos politicamente múltiplos,
considerando especialmente estudantes. Em seu escopo conceitual e metodológico,
sugere-se a adoção de perspectivas de pesquisa pós estruturalistas,
cartográficas e/ou próximas à filosofia da educação de Jan Masschelein e
Maarten Simons.
Espera-se anteprojetos que mergulhem nas potências do
conflito político para propor formas de ensinar e aprender humanidades ou que
busquem uma estratégia de evasão e recusa em travar a batalha nos termos da
atual polarização política.
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